Aqto

Você deve estar pensando que vou falar de um feedback eficaz, não é? Que um feedback eficaz precisa ser focado em fatos (comportamentos observáveis) e precisa ser dado no momento certo. OK, mas isso todo mundo já sabe.

E por que então, mesmo que a gente faça tudo isso, não funciona? Em geral o outro se sente ofendido ou não muda? Ou então nem se devidamente reconhecido?

Eu tenho minha teoria. E é só uma teoria baseada na minha experiência no mundo corporativo que quero compartilhar com você.

Em primeiro lugar, o feedback que não partir de forte intenção de ajudar o outro não serve para nada. Quando muito, serve para causar um trauma ou um pontapé na autoestima do outro cidadão. Daí, mesmo seguindo o “protocolo do feedback eficaz”, é um tiro no pé. Então meu caro, se for dar um feedback, se pergunte: Para que me serve esse feedback? E para que serve para o outro? Se a resposta estiver relaciona a coisas do tipo: “Tenho que dar, porque é meu dever”. Ou então: “Faz parte do ciclo anual da empresa, e me pediram feedback.” E quem sabe: “Eu tenho muito conhecimento e ele precisa aprender.” Pode parar por aí. Você precisa ter um interesse genuíno em ajudar, em desenvolver o outro ou em melhorar a sua relação com o outro. Aí sim.

Em segundo lugar, o feedback não é um monólogo. Que esconde algo como: “Eu aqui, um ser magnânimo e maravilhoso sei exatamente o que você precisa mudar”. E sim uma conversa franca e aberta em que trago minha interpretação de algo que o outro fez ou deixou de fazer e como ele pode melhorar, ou que coisas ele pode seguir fazendo – porque fez muito bem. Dessa forma, podemos ter uma relação cada vez mais produtiva. Se for assim, cabe pedir permissão para dar seu feedback e perguntar se sua interpretação do fato faz sentido ou não. Bingo! Baita sinal de humildade e maturidade.

Em terceiro lugar, essa conversa deve gerar um compromisso mútuo em direção ao futuro. Que leva a ações diferentes de ambas as partes. Se não, fica só no blá, blá, blá.

Por tudo isso, só dou feedback se estou conectada com o outro. Se me importo com o que importa para ele. E se a nossa relação for importante para mim. Assim, qualquer conversa difícil fica muito mais fácil. Sem ofensas e sem traumas.